"Cantar é atar nós/E desatar, feliz" (Bruna Caram/ Caê Rolfsen)

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Crítica de Show: Sérgio Britto - (07/11/2013)





Em um dos endereços mais famosos da cidade - o Teatro Gazeta, na Avenida Paulista - estreou ontem (7), em São Paulo, o show “Purabossanova”, do titã Sérgio Britto. Dono de uma carreira respeitável no rock nacional, Britto vem galgando seu lugar também num universo diferente, mais experimental, ligado à MPB, ao samba, à bossa nova. Bossa nova essa que dá o tom do CD lançado recentemente e, por conseguinte, ao novo show. Nele, Britto misturou às canções novas outras dos discos mais antigos, além de sucessos dos Titãs, numa versão mais intimista e minimalista.

Apesar do ligeiro atraso e dos valores não muito convidativos, o público compareceu e participou, quando solicitado pelo músico, que tocou acompanhado de uma formação diferente, com Marcos Suzano nas percussões, André Rodrigues no baixo, Guilherme Gê no teclado, guitarrra, violão e programações e a bela Marcela Mangabeira, que participa do disco e emprestou sua voz a todas os duetos onde o vocal feminino fez-se necessário.

Marcela Mangabeira

Abrindo o show com “Sol e Água Limpa”, participação oficial de Marcela, ele seguiu com a canção-título “Purabossanova”, que conta com um clipe oficial, com Rita Lee. Confesso que a faixa, a princípio, não me atraiu, mas vê-la executada ao vivo elevou meu conceito sobre a música. Seguiram-se outras canções, do álbum supramencionado e do seu antecessor, SP55 (2010), além da versão em espanhol de “Go Back”, gravada pelos Titãs no Acústico MTV (1997). Apesar do pequeno nervosismo - possivelmente, pela estreia em terras paulistanas (Britto já apresentou esse show no Rio e em BH) - a fluidez do todo era notável, e o público aplaudia cada vez mais, além de participar das músicas já conhecidas.

Em um momento mais intimista, acompanhado apenas de Guilherme Gê, Britto desfilou mais dois dos sucessos titânicos que ficaram marcados em sua voz: “Epitáfio”, em um arranjo um pouco diferente, mais delicado, e “Nem Cinco Minutos Guardados”, também do repertório do Acústico mas que não havia mais sido tocada desde então. Para qualquer fã da banda, um presente e tanto vê-la sendo tocada depois de mais de dez anos!

Com o retorno da banda, e antes de retomar o ritmo de bossa-nova, Britto cantou “Carrossel”, verdadeiro desafio de memória, que faz parte de A Minha Cara (2000), seu primeiro disco solo. Algumas músicas depois, incluindo uma versão do clássico “Garota de Ipanema”, encerrou com o sucesso “Diversão”, também dos Titãs, mas famosa na voz de Paulo Miklos. Britto, que é autor da música, tem-na trazido para seu set solo, devido à identificação que sente com a música. No bis, ainda emocionou o público com uma versão somente em voz e violão de “Enquanto houver sol”. por fim, a repetição de “Sol e Água Limpa” e “Purabossanova” fecharam o ótimo show.



Os arranjos de todas as músicas tenderam ao espírito do disco, mesmo as de fora dele. Destaque para as percussões de Marcos Suzano e à belíssima voz de Marcela, presente em quase todas as músicas e que encaixou-se perfeitamente ao timbre de Sérgio Britto, emprestando leveza ao conjunto e destacando as letras sempre cheias de paralelos e delicadeza. A presença no palco era sentida em todo o teatro, e a noite terminou com o público aplaudindo de pé o primeiro - de muitos, esperamos! - show dessa nova turnê de Sérgio Britto!

SETLIST:

Sol e água limpa
Purabossanova
Completamente triste
Canción para mi muerte
Aqui neste lugar
Go back
Para nós dois
Epitáfio
Nem cinco minutos guardados
Carrossel
Maria (L’Autre Chienne)
Garota de Ipanema
Pra te alcançar
Lento
Diversão

BIS
Enquanto houver sol
Sol e água limpa
Purabossanova

Um comentário: